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  • Thiago A. Godoy Ribeiro

Alterações Trabalhistas que Afetaram as Relações de Emprego em Tempos de Pandemia



Desde a publicação do Decreto Legislativo nº 6/2020 que declarou o estado de calamidade pública, em razão do coronavírus (Covid-19), foram várias as medidas publicadas pelo governo federal para que empresas e empregos fossem mantidos.


Como já publiquei artigos detalhando cada uma destas medidas, no conteúdo de hoje falaremos de forma mais prática sobre quais soluções podem ser utilizadas por trabalhadores e empresas.


Caso queira saber mais sobre os artigos anteriores, basta clicar nestes link's:

Se preferir, e estiver com pouco tempo, recomendo que vá direto ao tópico "Perguntas e Respostas". É possível que ali você encontre a solução para o seu problema de forma rápida.


Neste conteúdo, além das medidas governamentais de suporte a trabalhadores e empresas, falaremos sobre a necessidade de qualificação profissional e daremos dicas rápidas sobre qual o melhor setor para se empreender neste momento.


Principais mudanças propostas pelo governo federal


Procurando salvar empregos e empresas, o governo federal propôs uma série de medidas.


No geral, apesar de algumas soluções consideradas polêmicas, o saldo pode ser considerado positivo, já que sem estas medidas, os prejuízos seriam bem maiores.


Mas então, quais foram as soluções propostas pelo governo federal?


Redução proporcional de jornada e de salário:


O objetivo desta medida é preservar o salário hora recebido pelo trabalhador. Com ela, a empresa pode reduzir a jornada de trabalho do colaborador e consequentemente reduzir o seu salário.


Suspensão do contrato de trabalho:


Através da suspensão do contrato, a empresa poderá suspender o contrato de trabalho sem que precise arcar com os salários, já que durante este período o governo federal pagará um benefício emergencial.


Home Office (teletrabalho):


As ações do governo federal flexibilizaram o exercício do trabalho home office. O teletrabalho (ou home office) ocorre quando o trabalhador permanece em casa exercendo as mesmas funções que realizava na empresa.


Férias individuais e coletivas:


Com a medida provisória, é possível antecipar férias que sequer foram conquistadas, ou seja, antes do funcionário completar os 12 meses de trabalho, será possível usufruir das suas férias que, consequentemente, serão descontadas em outro momento.


Banco de horas:


O banco de horas é algo extremamente interessante. Ele beneficia empregados que de tempos em tempos podem usufruir de descansos, seja para repouso ou para afazeres pessoais, e contribui com a redução da folha de pagamento das empresas, já que diminui a incidência de horas extras.


Isto porque, se bem empregado e executado, a empresa poderá praticamente zerar os custos com horas extras.


O governo federal dilatou a compensação do banco de horas, ou seja, as horas trabalhadas e lançadas neste banco poderão ser compensadas em um período maior.


Antes da pandemia, o banco de horas deveria ser compensado, num prazo máximo de 6 ou 12 meses, a depender do tipo de banco de horas.


Agora, as empresas terão 18 meses para compensarem as horas lançadas no banco de horas.


Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS:


As contribuições ao fundo de garantia, que venceram nos meses de abril, maio e junho de 2020, podem ser pagas de forma parcelada (em até 6 vezes), a partir de julho de 2020.


Antecipação dos feriados


Agora as empresas poderão antecipar o descanso de feriados não religiosos. O objetivo é fazer com que o colaborador permaneça em casa, evitando assim o contágio. Estes dias já descansados serão trabalhados em data futura.


Programa Emergencial de Suporte a Empregos


Este é um programa que tem por objetivo conceder crédito às empresas para pagamento de folha salarial.


Podem ter acesso a este programa empresas que possuem como receita bruta anual o valor de R$ 360.000,00 até R$ 10.000.000,00.


Os créditos serão concedidos até o limite de duas vezes o salário mínimo por emprego, o que nos patamares de hoje corresponde a R$ 2.090,00.


Outro atrativo é a taxa de juros que foi estipulada em 3,75% ao ano. Valor bem abaixo do praticado pelo mercado.


Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe)


Esta é uma nova linha de crédito destinada a microempresas que tiveram, em 2019, receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360.000,00 e, empresas de pequeno porte com receita bruta anual entre R$ 360.000,00 e R$ 4.800.000,00.


O valor financiado é de até 30% da receita bruta anual calculada com base no exercício de 2019. Se a empresa tiver menos de 1 ano de funcionamento, o limite de crédito não será de 30%, mas 50% calculado com base no capital social, ou de até 30% da média de seu faturamento mensal apurado desde o início de suas atividades, o que for mais vantajoso.


As empresas que aderirem a este crédito, também terão que permanecer com seus empregados por 60 dias contados após o recebimento da última parcela da linha de crédito.


Outra novidade, que difere esta linha de crédito do Programa Emergencial de Suporte a Empregos, é que os recursos recebidos no âmbito do Pronampe poderão ser utilizados para financiamento da atividade empresarial (investimentos, capital de giro etc), ou seja, os valores não ficam limitados ao pagamento de salários.


A taxa de juros será calculada com base na taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), acrescida de 1,25%. Na data em que este conteúdo foi escrito a taxa Selic estava em 1,60%.


Por fim, é preciso saber que o prazo máximo para pagamentos dos valores financiados pelo Pronampe é de 36 meses.


Programa Emergencial de Acesso a Crédito


O Programa Emergencial de Acesso a Crédito é destinado a empresas de pequeno e médio porte.


Terão acesso a este programa as empresas que, em 2019, tiveram receita bruta superior a R$ 360.000,00 e inferior ou igual a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).


Desoneração da folha de pagamento


Desonerar significa diminuir o ônus suportado pelas empresas reduzindo a carga tributária paga em cima da folha de pagamento. Isto acontece por meio da substituição da base de cálculo da contribuição, que deixa de ser a folha de pagamento e passa a ser a receita bruta das empresas. Ela foi criada em 2011 por meio da Lei 12.546/2011.


O percentual que poderá ser reduzido varia de 1% a 4,5% sobre o faturamento bruto, em vez de 20% de contribuição sobre a folha de pagamento para a Previdência Social.


Há projetos de lei que tentam estender o benefício a outros setores da economia em razão da pandemia, mas hoje, a desoneração atinge empresas prestadoras de serviços de tecnologia da informação, de transporte rodoviário, da construção civil, call center, calçados, têxtil e de comunicação, entre outros.


Na forma como está hoje, esta desoneração poderá ser realizada pelas empresas até 31 de dezembro de 2020. No entanto, existem projetos de lei que tentam prorrogar a medida até dezembro de 2021.


Prorrogação de parcelamentos tributários


Em razão da pandemia, empresas que tem parcelamentos tributários terão um fôlego a mais. Isto porque o Ministério da Economia prorrogou o prazo para pagamento das prestações que vencem em maio, junho e julho de 2020.


A parcela vencida em maio poderá ser paga em agosto de 2020, a vencível em junho poderá ser paga em outubro de 2020 e a vencível em julho poderá ser paga em dezembro de 2020.


A novidade foi publicada na Portaria nº 201 do Ministério da Economia, mas a prorrogação não se aplica aos parcelamentos de tributos apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), que é gerido por competência própria.


Perguntas e Respostas Relevantes para Trabalhadores e Empresas


Home Office


1. O colaborador, que está trabalhando em home office, poderá futuramente acionar a empresa pedindo eventuais horas extras?


Resposta: Apesar da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) liberar o empregador do controle de jornada e consequentemente do pagamento de horas extras, a empresa precisa observar se realmente não controla a jornada do colaborador.


Se ficar comprovado que havia algum tipo de controle de jornada, seja por meio de ponto eletrônico ou por meio de utilização de algum software que se preste a isto, é possível que o empregador tenha que pagar em Juízo por eventuais horas extras prestadas no exercício do home office.


A recomendação é manter o controle de jornada através da marcação pelo próprio empregado ou, ainda, através de sistemas de ponto alternativo eletrônico.


2. O colaborador precisa concordar com o trabalho em sistema de home office?


Resposta: Antes da pandemia, era necessário que o colaborador concordasse com a transferência de trabalho presencial para home office.


Agora, por força da Medida Provisória nº 927, durante o estado de calamidade pública, a empresa pode transferir o trabalhador para o sistema de home office mesmo que este não concorde com tal transferência. Basta que a empresa comunique o trabalhador com antecedência mínima de 48 horas.


3. Depois de comunicado, quanto tempo terá o trabalhador para deixar o sistema de trabalho de home office e retornar ao trabalho presencial?


Resposta: Antes, esta transição (home office para presencial) poderia levar até 15 dias. Agora, com a medida provisória, o retorno deve ser imediato.


4. Posso reduzir a jornada e o salário do trabalhador que já estava no sistema de home office antes do início da pandemia?


Resposta: Se este trabalhador já tinha a sua jornada controlada, é possível que se aplique a redução de jornada e salário. Agora, se não havia controle de jornada, não é recomendado que se aplique esta redução. Se não há controle de jornada, não há jornada a ser reduzida.


Férias


1. Posso antecipar férias que sequer foram conquistadas?


Resposta: Esta é uma das formas encontradas pelo governo federal para manutenção do emprego. É possível antecipar férias que sequer foram conquistadas.


Futuramente, quando o período de descanso devido chegar, o colaborador não poderá tirar novas férias, já que este período já foi concedido.


2. Com qual antecedência devo avisar o colaborador que vou antecipar as suas férias?


Resposta: Antes, este aviso deveria ocorrer com antecedência mínima de 30 dias. Com a medida provisória, basta que a empresa avise o colaborador 48 horas antes do início do período de férias.


3. Quando será paga a remuneração das férias?


Resposta: Como é do saber da maioria, sempre que um trabalhador sai de férias ele tem direito a uma remuneração correspondente ao período de descanso, ou seja, mesmo sem trabalhar ele receberá como se estivesse trabalhando.


Essa remuneração deve ser paga até 2 dias antes do início das férias. Com a pandemia, a medida provisória estipulou que o pagamento da remuneração poderá ocorrer até o quinto dia útil do mês subsequente ao início das férias, ou seja, se o trabalhador sair de férias em junho, a empresa terá até o quinto dia útil do mês de julho para pagar a remuneração devida.


Outa mudança que pode aliviar as despesas das empresas, é que o pagamento do terço de férias, que corresponde a um terço do valor recebido a título de remuneração, poderá ser pago junto com o décimo terceiro salário, ou seja, em dezembro.


4. A empresa continua sendo obrigada a pagar o abono de férias ("venda das férias pelo colaborador")?


Resposta: Antes da pandemia, era o empregado que poderia escolher se venderia ou não as suas férias ao seu empregador. Se o trabalhador optasse pela venda, a empresa deveria pagar o valor correspondente aos dias vendidos.


Agora, a empresa poderá escolher se pagará ou não este abono de férias, ou seja, se aceita comprar ou não as férias do trabalhador.


5. As férias poderão ser fracionadas?


Resposta: Antes da reforma, o trabalhador poderia tirar férias em até 3 períodos, sendo que um deles não poderia ser inferior a 14 dias. Com a pandemia, a medida provisória estipulou que poderá haver o fracionamento desde que este não seja inferior a 5 dias.


Banco de horas


1. Quanto tempo terei para compensar as horas depositadas no banco de horas do colaborador?


Resposta: Com a medida provisória, tanto o banco de horas individual quanto o coletivo, poderão ser compensados em até 18 meses que começam a ser contados da data de encerramento do estado de calamidade (31/12/2020).


Antecipação de feriados


1. Posso antecipar feriados ou preciso esperar que o município ou o governo do estado publiquem decretos neste sentido?


Resposta: Feriados não religiosos podem ser antecipados pela empresa independente de decretos municipais ou estaduais. Já feriados religiosos, também podem antecipados, porém dependem de concordância do trabalhador.


Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS


1. Quais benefícios foram implantados quanto ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço?


Resposta: As empresas podem deixar de recolher os depósitos das competências de março, abril e maio de 2020, que vencerão em abril, maio e junho deste mesmo ano, podendo parcelar estes valores em até 6 vezes com início de recolhimento a partir de julho de 2020.


Redução proporcional de jornada e de salário


1. Qual o prazo máximo de redução de jornada e de salário?


Resposta: As reduções podem ocorrer por no máximo 90 dias.


2. Devo comunicar o sindicato dos empregados caso reduza a jornada de trabalho?


Resposta: Sim, apenas comunicar. Digo isso porque havia uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que condicionava a redução de jornada a autorização sindical. Essa decisão foi derrubada e agora basta uma simples comunicação.


3. Em quanto a jornada de trabalho e salário poderão ser reduzidos?


Resposta: As reduções poderão ser de 25, 50 e 70%.


4. Considerando que houve uma redução de salário, o trabalhador receberá algum benefício do governo para compensar esta redução?


Resposta: Sim. O Trabalhador receberá uma compensação correspondente ao percentual de jornada/salário reduzidos. Assim, se forem reduzidos 50% do seu salário, este trabalhador receberá o valor correspondente a 50% do seguro-desemprego que ele teria direito.


5. O seguro-desemprego, quando for efetivamente sacado em caso de dispensa sem justa causa, terá o seu valor reduzido?


Resposta: Não. É natural que as pessoas confundam o benefício emergencial com o seguro-desemprego. Isto porque o seguro-desemprego é utilizado como base de cálculo do benefício emergencial. Mas o recebimento do benefício emergencial em nada interfere no seu recebimento futuro. O mesmo vale para aqueles empregados que tiveram os seus contratos suspensos.


6. O empregado terá algum tipo de garantia de emprego em caso de redução da jornada e salário?


Resposta: Sim. A garantia vai corresponder ao tempo em que o trabalhador teve a sua jornada/salário reduzidos. Ou seja, se a redução durou 30 dias, após o restabelecimento da jornada a empresa não poderá dispensar o trabalhador pelos próximos 30 dias.


7. O empregado pode pedir demissão enquanto vigente a redução de jornada e de salário?


Resposta: Por regra, a empresa que firmar aditivo com o empregado conforme a medida provisória deve atender a estabilidade provisória prevista para estes casos.


Não há impedimento legal sobre o pedido de demissão do empregado. Mesmo assim, a empresa deve se certificar de produzir provas, se possível de próprio punho, de que o empregado abre mão da garantia de emprego.


Suspensão do Contrato de Trabalho


1. Qual o prazo máximo de suspensão do contrato de trabalho?


Resposta: 60 dias é o tempo máximo de suspensão dos contratos de trabalho.


2. Preciso manter o pagamento dos benefícios (que não tem natureza salarial) durante a suspensão do contrato?


Resposta: Sim. Podemos citar o plano de saúde como exemplo de benefício que deve ser mantido.


Existe ainda o vale alimentação e o vale refeição.


O vale alimentação é aquele que substitui a cesta básica, onde a empresa paga um valor, através de cartão magnético, por exemplo, e o trabalhador faz compras em supermercados, padarias, açougues etc.


Já o vale refeição é aquele em que o trabalhador utiliza para a sua refeição, propriamente dita. É quando ele consome o valor depositado pelo empregador em restaurantes para almoço (ou janta) durante a sua jornada de trabalho.


Há convenções coletivas, que foram publicadas após a medida provisória, estabelecendo que o vale alimentação e o vale refeição não devem ser pagos durante a suspensão dos contratos. Por isso é importante que empregadores e trabalhadores consultem a norma coletiva da sua categoria para entender se ali consta alguma estipulação sobre o tema.


3. O empregado terá algum tipo de garantia de emprego em caso de suspensão do contrato de trabalho?


Resposta: Sim. A garantia vai corresponder ao tempo em que o trabalhador esteve afastado. Ou seja, se a suspensão durou 30 dias, a empresa não poderá dispensá-lo pelos próximos 30 dias contados do seu retorno.

4. O trabalhador receberá algum tipo de compensação financeira durante o período de suspensão do contrato?


Resposta: Sim. Esta compensação pode ser de 70% ou 100% do seguro-desemprego. Tudo vai depender da receita brutal anual da empresa.


5. O empregado pode pedir demissão enquanto vigente a suspensão do contrato de trabalho?


Resposta: Por regra, a empresa que firmar aditivo com o empregado conforme a medida provisória deve atender a estabilidade provisória prevista para estes casos.


Não há impedimento legal sobre o pedido de demissão do empregado. Mesmo assim, a empresa deve se certificar de produzir provas, se possível de próprio punho, de que o empregado abre mão da garantia de emprego.


Programa Emergencial de Suporte a Empregos


1. Quem pode ter acesso a estes créditos?


Resposta: Este programa, que visa fornecer crédito para pagamento de folha salarial às empresas, esta disponível apenas para empresários, sociedades empresárias e sociedade cooperativas.


2. Quais são os requisitos de acesso?


Resposta: Terão acesso a este crédito empresas que tem como receita bruta anual o valor entre R$ 360.000,00 e R$ 10.000.000,00.


3. Há um limite de crédito?


Resposta: Sim. Será disponibilizado o valor equivalente a até duas vezes o salário mínimo por emprego (R$ 2.090,00), pelo período de 2 meses.


4. Quais obrigações serão suportadas pelas empresas que fizerem uso deste crédito?


Resposta: Além de garantir que o recurso será utilizado exclusivamente para pagamento de salários, as empresas não poderão rescindir, sem justa causa, o contrato de trabalho de seus empregados por 60 dias contados do o recebimento da última parcela da linha de crédito.


5. Qual a taxa de juros, prazo e carência para início dos pagamentos?


Resposta: A taxa de juros é de 3,75 ao ano. O prazo máximo para pagamento do valor financiado é de 36 meses. E a empresa poderá iniciar os pagamentos (carência) após 6 meses da data de concessão do crédito.


Benefício emergencial


1. Qual o prazo para movimentação do benefício emergencial e o que acontece se o trabalhador não movimentar os valores depositados pelo governo federal?


Resposta: O prazo é de 90 dias e o valor tem que ser sacado ou transferido, ou seja, movimentado, até esse limite de prazo.


O valor que não for movimentado volta para a conta da União.


2. E se o trabalhador foi contrato após a publicação da medida provisória (01/04/2020) que estabeleceu a redução de jornada e salário e a suspensão do contrato. Mesmo assim ele terá direito ao benefício emergencial?


Resposta: Os empregados contratados após a criação do benefício, ou seja, após a publicação da MP 936/20, não possuem direito ao recebimento do benefício. São aqueles empregados contratados a partir de 01/04/2020 e informados no e-social em 02/04/2020.


Recontratação de empregado recentemente desligado da empresa


1. É possível recontratar empregados recém dispensados?


Resposta: Sim, é possível, desde que observados os prazos legais para isso.


A Portaria nº 384/92 do antigo Ministério do Trabalho estabelece que nas recontratações de empregados que tiveram sua rescisão efetivada por iniciativa da empregadora, sem justa causa, é de noventa dias, isto porque, pode haver casos de demissão simulada para saque do FGTS.


Sobre esse tema, há um projeto de lei na Câmara do Deputados que autoriza a recontratação sem que seja considerada fraude. Essa recontratação seria permitida até 30 depois de encerrado o estado de calamidade pública (31/12/2020).


Já com relação a contratação posterior do empregado como pessoa jurídica, esta nada mudou, ou seja, isto pode ser considerado fraude ao seguro desemprego, e como regra, devemos observar o prazo de 18 meses (Lei nº 6.019/74).


Seguro-desemprego


1. Como vai funcionar o acesso ao seguro-desemprego para demissões ocorridas durante a pandemia?


Resposta: Hoje, as regras para saque são as seguintes:

  • Ter sido dispensado sem justa causa;

  • Estar desempregado, quando do requerimento do benefício;

  • Não possuir renda própria para o seu sustento e de sua família;

  • Não estiver recebendo benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto pensão por morte ou auxílio-acidente.

  • Ter recebido salários de pessoa jurídica ou pessoa física equiparada à jurídica (inscrita no CEI):

  • para fazer a primeira solicitação, é preciso ter trabalhado por pelo menos 12 meses nos últimos 18;

  • na segunda solicitação pelo menos 9 dos últimos 12; e

  • nas demais solicitações é preciso ter trabalhado todos os últimos 6 meses.

No entanto, há um projeto de lei em trâmite no senado que pretende ampliar a concessão do seguro-desemprego.


A proposta estabelece que o trabalhador com registro por 3 meses, nos últimos 12 meses, que teve seu contrato rescindido por iniciativa do empregador, terá direito a 3 parcelas do benefício.


Divisão das verbas indenizatórias, resultantes da demissão, com o governo


1. Quem paga as verbas indenizatórias de demissões ocorridas durante a pandemia?


Resposta: Assim que as dispensas sem justa causa, motivadas pela crise econômica em virtude do estado de calamidade, começaram a ocorrer, muito se discutia sobre a possibilidade de dividir as contas com o governo.


Em resumo, até porque já falamos sobre isso em publicações anteriores, se a sua empresa fechou (encerrou as atividades) em virtude do atual momento, aplica-se o motivo de força maior e a empresa recolhe apenas 20% sobre o saldo do FGTS e não 40% como de costume (força maior).


Já se a sua empresa não fechou, mas teve as suas atividades totalmente paralisadas de forma temporária ou definitiva e precisou dispensar trabalhadores também devido ao atual estado de calamidade, as parcelas indenizatórias deverão ser pagas pelo governo municipal, estadual ou federal (fato do príncipe).


Entende-se como parcelas indenizatórias o aviso-prévio e a multa de 40% sobre o saldo do FGTS. Alguns juízes aplicam apenas a multa de 40%, outros entendem que o aviso-prévio também entra nessa conta.


Ocorre que o tema é controvertido. Alguns entendem que o atual estado de calamidade não justifica o repasse destas despesas ao governo, outros entendem que sim, devendo o governo arcar com as verbas indenizatórias.


Sobre isso temos duas novidades recentes. A primeira diz respeito a uma nota de orientação emitida pelo Ministério da Economia ao Estado do Rio de Janeiro (Nota Informativa SEI nº 13448/2020/ME).


Por meio desta nota, o Ministério da Economia orientou que a aplicação do Fato do Príncipe somente é possível quando as demissões se ocasionarem de estabelecimentos com paralisação total da atividade em decorrência de ato municipal, estadual e federal, além de ter o empregador quitado todas as verbas rescisórias, podendo se abster apenas da indenização compensatória do FGTS.


Já a força maior, apenas poderá ser alegada para autorizar a redução de metade da indenização compensatória do FGTS e só é cabível com a extinção da empresa.


A segunda novidade diz respeito ao Projeto de Lei nº 2.833/2020, em trâmite na Câmara dos Deputados, que prevê a concretização do Fato do Príncipe para as rescisões unilaterais decorrentes da pandemia.


No Projeto apresentado, o Fato do Príncipe abrangerá a situação de calamidade pública da pandemia, além de enquadrar a pandemia, efetivamente, na hipótese de força maior.


Se aprovado, trará mais segurança jurídica às empresas.


Fui dispensado, e agora, o que fazer?


Se o seu empregador não suportou a atual crise e a única saída encontrada foi a rescisão do contrato de trabalho, é hora de pensarmos em soluções.


Uma delas pode ser a busca por capacitação. Este o momento de buscar qualificação. Isto porque a crise vai passar, e quando este dia chegar, aqueles que estiverem melhor preparados serão os primeiros a assumirem novos postos de trabalho.


Portal Todos por Todos (governo federal):


Na página de capacitação a distância do Todos por Todos, você poderá se capacitar gratuitamente por meio de centenas de cursos disponibilizados por instituições interessadas em apoiar o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.


Os cursos são oferecidos por entidades com financiamento público, como o Sebrae e o Senai, instituições de ensino como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), e empresas de tecnologia como Google e Microsoft. São 674 opções de capacitação para escolher em 11 categorias. Para acessar basta clicar aqui.


Empreender


É hora do brasileiro ser brasileiro! Se reinventar e buscar novas fontes de renda.


Se você não pode esperar pelo novo emprego, talvez o momento seja de pensar em ações que tragam resultados imediatos, e o empreendedorismo pode ser este caminho.


Da forma certa e com o produto certo, você pode obter resultados que garantam o seu sustento até que um novo emprego apareça.


Para isso quero compartilhar com você quais setores estão mais aquecidos durante a pandemia.


Existe uma série de fatores que podem influenciar o seu sucesso, mas com certeza saber o que vender neste momento pode contribuir com os seus resultados.


Os setores que pouco sentiram os efeitos da pandemia e que continuam em alta são: beleza e alimentação.


Se tivesse que apostar em algo para vender focaria em um destes setores.

São áreas que não sentiram (ou pouco sentiram) os efeitos da pandemia.


As vendas de cosméticos, por exemplo, dispararam quase 655% durante os primeiros dois meses da pandemia (ABComm - Associação Brasileira de Comércio Eletrônico).


O setor que de gêneros alimentícios vem crescendo. As pessoas continuam comendo, isto é fato. Portanto, investir em algo que supra essa necessidade pode ser vital para o sucesso do seu empreendimento.


Conclusão

A informação é e sempre foi um dos bens mais preciosos. Faça uso dela e tome decisões que podem ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso.


Lembre-se ainda, que a advocacia preventiva pode impedir que a sua empresa sofra prejuízos irreparáveis.


Em momentos como este, é importante que você esteja bem assessorado(a) por profissionais competentes e especializados em direito do trabalho para empresas.


Antecipar-se às adversidades impostas por processos trabalhistas injustos, pode ser vital para a continuidade do seu negócio.

“O melhor momento para se plantar uma árvore foi há 20 anos. E o segundo melhor momento para se plantar uma árvore é agora!” (provérbio chinês)

Sucesso e bons negócios!


À Sua Riqueza e Felicidade.


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